sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Quando o Céu Respira: A Poesia da Sombra Zero, dos Solstícios e dos Equinócios

 Sombra Zero — O instante em que a Terra se ajoelha diante da luz

Há um dia — dois, na verdade — em que o Sol se coloca exatamente acima de nós.

Nenhum desvio, nenhuma inclinação, nenhum obstáculo.

E então, por alguns instantes, a sombra desaparece.

A ciência diz:

“É o Sol no zênite, alinhado à latitude do observador.”

Mas o espírito sussurra outra coisa:

“É o momento em que a luz te encontra sem máscaras.”

A sombra zero é um espelho vertical.

É a luz descendo em linha reta, como uma flecha divina.

É o convite silencioso para olhar para dentro e perguntar:

O que em mim ainda se esconde da própria luz?


Solstícios — Os extremos da alma solar

O Sol caminha pelo céu como quem dança.

E duas vezes ao ano, ele chega aos limites dessa dança.

Solstício de Verão

A luz se expande até o limite.

O dia se alonga como um suspiro quente.

É o auge da vitalidade, da expressão, da colheita.

É o momento em que o Sol diz:

“Brilha sem medo.”

Solstício de Inverno

A noite se estende como um manto profundo.

A luz se recolhe para dentro, como uma semente.

É o ponto mais íntimo, mais silencioso, mais fértil.

É o momento em que o Sol diz:

“Volta para o teu centro.”

Os solstícios são os extremos da alma.

O máximo de luz e o máximo de sombra.

Ambos necessários.

Ambos sagrados.


Equinócios — O instante em que o céu encontra o meio do caminho

Nos equinócios, o Sol cruza o equador celeste.

Dia e noite se olham nos olhos.

Nem um passo a mais, nem um passo a menos.

É o equilíbrio perfeito.

A respiração entre o inspirar e o expirar.

O silêncio entre duas notas.

Esotericamente, o equinócio é o convite para o meio.

Para o ponto onde não há excesso, nem falta.

Onde a vida se sustenta em harmonia.

É o momento ideal para alinhar intenções,

para ajustar o ritmo,

para ouvir o que o corpo e a alma pedem.


Sol e Lua — Os dois grandes poetas do tempo

O Sol escreve o ano.

A Lua escreve o mês.

E nós vivemos entre essas duas caligrafias celestes.

O Sol é o verbo.

A Lua é o suspiro.

O Sol é o caminho.

A Lua é o sentimento.

Quando observamos sombra zero, solstícios e equinócios, percebemos que o céu não está apenas se movendo.

Ele está nos ensinando — com luz, com sombra, com equilíbrio — a reconhecer nossos próprios ciclos.


Nenhum comentário: