Sombra Zero — O instante em que a Terra se ajoelha diante da luz
Há um dia — dois, na verdade — em que o Sol se coloca exatamente acima de nós.
Nenhum desvio, nenhuma inclinação, nenhum obstáculo.
E então, por alguns instantes, a sombra desaparece.
A ciência diz:
“É o Sol no zênite, alinhado à latitude do observador.”
Mas o espírito sussurra outra coisa:
“É o momento em que a luz te encontra sem máscaras.”
A sombra zero é um espelho vertical.
É a luz descendo em linha reta, como uma flecha divina.
É o convite silencioso para olhar para dentro e perguntar:
O que em mim ainda se esconde da própria luz?
Solstícios — Os extremos da alma solar
O Sol caminha pelo céu como quem dança.
E duas vezes ao ano, ele chega aos limites dessa dança.
Solstício de Verão
A luz se expande até o limite.
O dia se alonga como um suspiro quente.
É o auge da vitalidade, da expressão, da colheita.
É o momento em que o Sol diz:
“Brilha sem medo.”
Solstício de Inverno
A noite se estende como um manto profundo.
A luz se recolhe para dentro, como uma semente.
É o ponto mais íntimo, mais silencioso, mais fértil.
É o momento em que o Sol diz:
“Volta para o teu centro.”
Os solstícios são os extremos da alma.
O máximo de luz e o máximo de sombra.
Ambos necessários.
Ambos sagrados.
Equinócios — O instante em que o céu encontra o meio do caminho
Nos equinócios, o Sol cruza o equador celeste.
Dia e noite se olham nos olhos.
Nem um passo a mais, nem um passo a menos.
É o equilíbrio perfeito.
A respiração entre o inspirar e o expirar.
O silêncio entre duas notas.
Esotericamente, o equinócio é o convite para o meio.
Para o ponto onde não há excesso, nem falta.
Onde a vida se sustenta em harmonia.
É o momento ideal para alinhar intenções,
para ajustar o ritmo,
para ouvir o que o corpo e a alma pedem.
Sol e Lua — Os dois grandes poetas do tempo
O Sol escreve o ano.
A Lua escreve o mês.
E nós vivemos entre essas duas caligrafias celestes.
O Sol é o verbo.
A Lua é o suspiro.
O Sol é o caminho.
A Lua é o sentimento.
Quando observamos sombra zero, solstícios e equinócios, percebemos que o céu não está apenas se movendo.
Ele está nos ensinando — com luz, com sombra, com equilíbrio — a reconhecer nossos próprios ciclos.
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